Em formato 100% digital, Congresso Andav faz história

19/08/21 -

  • Foram mais de 20 palestras e painéis ao longo dos três dias de realização do evento, com a participação de mais de 45 autoridades e especialistas do setor agropecuário nacional, e contou com mais de 6 mil acessos. 
  • Na próxima edição, o encontro nacional da distribuição no agronegócio volta ao formato presencial e acontece de 17 a 19 de agosto de 2022

Em sua primeira edição 100% digital, o Congresso Andav, o encontro nacional da distribuição no agronegócio, fez história, ao levar para os profissionais do setor agropecuário brasileiro conteúdos segmentados, debates sobre o futuro deste mercado no país e oportunidades de negócios promissoras. Prova disso, são os números finais do Congresso, que chegou a 10ª edição em 2021: foram mais de 20 palestras e painéis ao longo dos três dias de realização do evento (de 11 a 13 de agosto), com a participação de mais de 45 autoridades e especialistas do segmento, e contou com mais de 6 mil acessos. 

A Exposição Virtual, um ambiente exclusivo que foi dedicado ao networking e à geração de negócios,  reuniu  mais de 35 marcas. O participante também pode acompanhar apresentações com conteúdo técnico na Arena do Conhecimento. 

Pela primeira vez o evento – promovido pela Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav) e organizado pela Zest Eventos – reuniu autoridades de quatro Ministérios Federais em uma mesma edição. Foram eles: a Ministra de Estado da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), Tereza Cristina; o Ministro da Embaixada da República Popular da China no Brasil, Jin Hongjun; o Secretário Nacional de Transportes Terrestres (representando o Ministério da Infraestrutura), Marcello Costa, e o Diretor de Investimentos e Inovação do Ministério das Comunicações, Pedro Lucas.

A Ministra Tereza Cristina participou da Plenária de abertura do evento, no dia 11/08 e destacou: “Nosso modelo de agricultura tropical, baseado em muitos dos produtos e técnicas disseminadas por vocês (distribuidores), é um exemplo para o mundo: de que é possível produzir, mas também conservar. É através da ciência e da inovação que alcançamos a posição de vanguarda que temos hoje no mundo”. E acrescentou: “A mensagem que eu quero deixar, neste Congresso da Andav, é a expressão: ‘o alimento do campo à mesa’ – trata-se de algo extremamente importante, pois reflete o quanto são indissociáveis as questões ligadas à natureza, à saúde e à nossa alimentação”.

O Secretário Nacional de Transportes Terrestres, Marcello Costa, também marcou presença no primeiro dia, na palestra “Infraestrutura e escoamento da produção agrícola brasileira” e evidenciou a importância do transporte e da logística para o agronegócio nacional. “Vivemos em um país de dimensões continentais, por isso, estamos empenhados em melhorar as condições das rodovias, ferrovias, portos e aeroportos em todo o território brasileiro, além de buscar um melhor equilíbrio da matriz de transportes nacional. O governo federal tem realizado concessões a fim de viabilizar investimentos e melhorar as condições e serviços de todos os tipos de vias de transporte, além de contribuir para uma maior integração dos modais e colaborar para uma atividade mais sustentável”, disse.

O Diretor de Investimentos e Inovação do Ministério das Comunicações, Pedro Lucas, participou do painel “Inteligência Artificial e Conectividade: Tendências para os próximos anos”, e pontuou os desafios enfrentados pelos produtores brasileiros, como os custos e os serviços de conectividade em áreas rurais, para ter acesso aos benefícios trazidos pela tecnologia. Para ele, a cobertura das conexões deve ser ampliada através dos serviços do 4G no edital do 5G, a quinta geração da telefonia móvel, que ainda será lançada. “Com o edital, todas as redes vão chegar ao campo e permitir a conectividade mais próxima do produtor”. Lucas acrescentou que a tecnologia vai ser difundida pelas rodovias federais pavimentadas. “Os grandes corredores logísticos vão ter cobertura 4G, possibilitando o controle da frota, da logística e da rastreabilidade de produtos e insumos”.

O ministro da Embaixada da República Popular da China no Brasil, Jin Hongjun, realçou a importância da agropecuária brasileira para o mercado chinês. “Há quase três anos, a China tem sido o maior importador de produtos agropecuários brasileiros. Atualmente, somente o superávit das relações comerciais do setor, envolvendo os dois países, representa cerca de 65% do superávit total do Brasil. Além disso, os investimentos chineses no agronegócio brasileiro mantêm um bom ímpeto e o país é o que mais recebe aportes da China neste sentido em toda a América do Sul”, exaltou.

Segundo ele, entre os produtos mais transportados para o mercado chinês estão os grãos, como a soja. “A China é o maior consumidor de soja do mundo e um dos maiores importadores do grão do Brasil. Apenas em 2020, foram exportadas mais de 60 milhões de toneladas do insumo para o solo chinês. E a demanda pelo grão deve aumentar ainda mais, de maneira que este número chegue a 200 milhões de toneladas a longo prazo”, salientou. “Outra tendência atual no país é o café, que vem conquistando o paladar dos chineses, especialmente dos mais jovens. Em breve, o café brasileiro deve alcançar uma fatia admirável do mercado chinês”, acrescentou.

Mas o bom desempenho dos produtos brasileiros não se resume apenas aos grãos, as carnes e proteínas de origem animal também se destacam por lá. Somente em 2020, de acordo com Hongjun, o Brasil exportou mais de  900 mil toneladas de carne de frango para a China, mais de 600 mil de carne suína e mais 160 mil de carne bovina. “O Brasil é um dos maiores produtores e exportadores de produtos agropecuários do mundo, além de uma importante fonte de proteínas para a China, com uma gama diversificada de mercadorias de alta qualidade. E estes são produtos em alta nos últimos anos e podem crescer ainda mais”, pontuou.

Produção mundial de alimentos – Outro destaque da programação foi o painel “Produção mundial de alimentos: cenário atual e desafios futuros do setor no Brasil para atender uma demanda mundial em crescimento”, que evidenciou que o país está preparado para suprir essa crescente demanda que se vislumbra para os próximos anos. Isso porque é um território com muita capacidade de produção e áreas agrícolas para crescer, além de ser um dos maiores exportadores de grãos do planeta. “Temos boas expectativas de novos recordes históricos de safra para os próximos anos”, adiantou o consultor de mercado agrícola Vlamir Brandalizze, que sinalizou ainda que o Brasil continuará a ter papel estratégico no abastecimento da população mundial, que tem previsão de atingir 8 bilhões de habitantes em 2024. 

Sustentabilidade – Destaque do Congresso Andav 2021 também foi a sustentabilidade no uso dos recursos naturais e nos negócios do setor. Diferentes apresentações ressaltaram o tema, em especial o painel “Agricultura e Pecuária Sustentáveis”, que contou com a participação de especialistas para falar sobre o desafio de promover o aumento da produtividade e eficiência no setor, de forma sustentável e inclusiva. 

Entre eles, esteve o diretor de Sustentabilidade da Bayer, Eduardo Bastos, que afirmou: “Até 2050 chegaremos a 10 bilhões de pessoas e esses indivíduos consumirão 50% a mais de alimentos. É uma realidade que nos impõe o desafio de aumentar a produção, com a obrigação de agregar mais valor à forma com a qual produzimos”. Segundo Bastos, a Bayer definiu o objetivo de reduzir em 30% os impactos ambientais e emissões de gases por parte da companhia – e ainda dar suporte aos pequenos produtores. “Podemos continuar sendo o grande exportador de alimentos no mundo”, acrescentou.

Quem também integrou o debate foi a diretora executiva do Sistema B Brasil, Francine Lemos. Para ela, o próprio mercado passou a impor às empresas e gestores o comprometimento com políticas de ESG (Environment, Social and Governance) e no campo não é diferente. “E acreditamos que o empresário tem a possibilidade e a responsabilidade de criar um ambiente sustentável, positivo e integrador. ESG é uma realidade. O esforço deve ser por gerar um impacto positivo, com foco em preservar e regenerar, com transparência na tomada de decisões”, opinou.

Crédito e Seguro Agrícola – Outro debate que chamou a atenção no 10º Congresso Andav,  foi o que envolveu duas importantes ferramentas de garantia para a expansão do agronegócio, o crédito e o seguro agrícola, que geram expectativas no mercado nacional. Entre elas, estão: modernização de leis e aplicação de tecnologias, com o intuito de melhorar o panorama do financiamento e da seguridade da produção no campo. “São propostas de mudanças para dar impulso a boas iniciativas”, disse o Secretário Adjunto de Política Agrícola do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), José Angelo Mazzillo.

A Lei do Agro, a segurança jurídica dos negócios e o Fundo Garantidor Solidário foram outros pontos destacados. Assim como as discussões que se referem aos recursos alocados ao Seguro Rural, em que o Diretor de Gestão de Riscos do Mapa, Pedro Loyola, assinalou que a pasta trabalha com uma política para priorizar a disseminação do instrumento de garantia. “Ainda temos muito a fazer para aumentar a área segurada no país: 80% da área de soja, por exemplo, não têm seguro. Precisamos ter um prognóstico de uma área segurada, no médio prazo, de 25 milhões de hectares”, complementou.

Próxima Edição – Na próxima edição, o encontro nacional da distribuição no agronegócio volta ao formato presencial e já tem data marcada. “Em nome de todo o nosso Conselho Diretor, queremos anunciar o retorno de nosso evento presencial no próximo ano, de 17 a 19 de agosto de 2022. A expectativa de estarmos juntos de novo é muito grande e convidamos todos vocês para o Transamerica Expo Center”, concluiu o presidente do conselho diretor da Andav, Alberto Yoshida.