“É através da ciência e da inovação que alcançamos a posição de vanguarda que temos hoje no mundo”, diz Ministra da Agricultura

Tereza Cristina e outras autoridades do setor participaram do primeiro dia do Congresso Andav 2021, o encontro nacional da distribuição no agronegócio, que ocorre até sexta-feira (13/08)

O primeiro dia do Congresso Andav 2021, promovido pela Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav), teve como destaque palestras e painéis que promoveram o debate e a reflexão de temas estratégicos ao setor. Alguns deles foram trazidos pela ministra da Agricultura, Tereza Cristina, que participou da abertura da Plenária do evento, nesta quarta-feira (11). 

Nosso modelo de agricultura tropical, baseado em muitos dos produtos e técnicas disseminadas por vocês (distribuidores), é um exemplo para o mundo: que é possível produzir, mas também conservar. É através da ciência e da inovação que alcançamos a posição de vanguarda que temos hoje no mundo”, declarou Tereza Cristina. 

Segundo a ministra, o trabalho do setor na garantia do abastecimento é dependente do equilíbrio socioambiental dos processos. “A mensagem que eu quero deixar, neste Congresso da Andav, é a expressão ‘o alimento do campo à mesa’: trata-se de uma mensagem extremamente importante, porque reflete o quanto são indissociáveis as questões ligadas à natureza, à saúde e à nossa alimentação”. E completa, “Será necessário aumentar a produção agropecuária de forma sustentável, reduzir as perdas e desperdícios e ampliar o acesso a alimentos cada vez mais seguros e saudáveis. Aqui, no Ministério da Agricultura, nós vamos continuar a trabalhar pela intensificação de uma agricultura e pecuária de base sustentável, aumentando a produtividade e reduzindo a pressão pela conversão de novas áreas, por meio da integração de políticas de inclusão social e produtiva. Vamos fortalecer a agricultura familiar, que é um setor estratégico para promover o crescimento econômico e as boas práticas ambientais”. 

A ministra Tereza Cristina também destacou os debates internacionais, em especial a participação da pasta nas discussões em torno do Food Systems Summit 2021, que pretende direcionar o desenvolvimento dos sistemas alimentares do futuro, e destacou o papel da produção nacional na garantia da segurança alimentar mundial. “Gostaria de encerrar com uma menção, a importância dos Distribuidores de Insumos Agropecuários em todo esse processo. A agropecuária brasileira conta com vocês como catalisadores das mudanças positivas no campo, através do seu trabalho ao lado do produtor rural, como extensionistas e facilitadores. Esperamos que continuem oferecendo aos nossos produtores aquilo que há de melhor em termos de conhecimento, tecnologia, insumos modernos e de equipamentos, para que o Brasil siga firme e forte na sua missão, que não é pequena:  é alimentar não apenas os brasileiros, mas milhões de cidadãos em todo o mundo”. 

A cerimônia de abertura do evento também adiantou o anúncio da edição 2022 do Congresso, feito pelo presidente do conselho diretor da Andav, Alberto Yoshida. No próximo ano, o evento retornará ao formato presencial e será realizado de 17 a 19 de agosto.

A importância do agro para a população – O representante no Brasil da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura (FAO no Brasil), Rafael Zavalla, evidenciou a importância do agro para garantir o alimento na mesa da população. “Temos que mudar a maneira como produzimos, geramos, distribuímos e consumimos os alimentos mundo afora. Os processos de armazenamento e distribuição, de embalagens, de transporte, tudo isso precisa ser reavaliado para garantir mais segurança alimentar. É urgente mudarmos e aqui estão alguns dados que mostram isso: mais de 690 milhões de pessoas sofrem de fome crônica no mundo”, reforçou.

Diretrizes Internacionais – Na sequência, o presidente da CropLife Brasil, Christian Lohbauer, abordou as diretrizes internacionais para o sistema alimentar, que norteiam o setor em diferentes aspectos e promovem transformações importantes. “Uma delas foi a mudança na forma de consumo de alimentos, em especial nos países mais desenvolvidos. A preocupação das pessoas passou a ser bem maior que o habitual, considerando questões como: de onde o alimento veio e quem produziu, os consumidores mais exigentes pedem um sistema regulatório mais amplo. No âmbito internacional, as regras se dão com base em diretrizes da Organização Mundial do Comércio (OMC) e da Organização das Nações Unidas (ONU)”.

O executivo alertou da importância de acompanhar essas questões regulatórias e atuar em consenso com elas. “Temos que ter a preocupação em proporcionar mais capacitação ao produtor rural, para que ele também contribua com a eficiência energética, por exemplo. É de extrema importância também que as indústrias abracem essa estratégia e sigam na mesma direção”, acrescentou.

Produção mundial de alimentos – Outro destaque da programação foi o painel “Produção mundial de alimentos: cenário atual e desafios futuros do setor no Brasil para atender uma demanda mundial em crescimento”, que evidenciou que o país está preparado para suprir essa crescente demanda que se vislumbra para os próximos anos. Isso porque é um território com muita capacidade de produção e áreas agrícolas para crescer, além de ser um dos maiores exportadores de grãos do planeta. “Temos boas expectativas de novos recordes históricos de safra para os próximos anos”, adiantou o consultor de mercado agrícola Vlamir Brandalizze, que sinalizou ainda que o Brasil continuará a ter papel estratégico no abastecimento da população mundial, que tem previsão de atingir 8 bilhões de habitantes em 2024 e 10 bilhões em 2050. 

Na pecuária brasileira, os números também são promissores. De acordo com o pesquisador de gado de corte da Embrapa, Guilherme Malafaia, a representatividade da pecuária no PIB nacional passou para 10% em 2020. “A previsão é de que a produção bovina registre crescimento de 5,2% até 2025”, pontuou. 

Outro ponto abordado foi o desempenho do setor agropecuário durante a pandemia. “O Brasil continuou a trabalhar muito bem neste período, o que irá favorecer a velocidade do retorno de investimentos e da competitividade frente à concorrência internacional”, enfatizou o presidente da Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA), Ricardo Santin. A mediação do painel ficou por conta do supervisor do Grupo de Gestão Estratégica da Embrapa Territorial, Gustavo Spadotti.

Infraestrutura e escoamento da produção agrícola brasileira – Quem também participou do primeiro dia do 10º Congresso Andav foi o secretário nacional de transportes terrestres, Marcello Costa, que ressaltou a importância do transporte e da logística para o agronegócio nacional. “Vivemos em um país de dimensões continentais, por isso, estamos empenhados em melhorar as condições das rodovias, ferrovias, portos e aeroportos em todo o território brasileiro, além de buscar um melhor equilíbrio da matriz de transportes nacional”, disse.

“O governo federal tem realizado concessões por meio de leilões a fim de viabilizar investimentos e melhorar as condições e serviços de todos os tipos de vias de transporte, além de contribuir para uma maior integração dos modais e colaborar para uma atividade mais sustentável”, completou. 

Tecnologia – O debate sobre as últimas tendências tecnológicas do setor também marcou o primeiro dia de evento, com dois painéis dedicados ao assunto. Em um deles, o foco estava nas inovações em genética agropecuária. “O uso da tecnologia cresce consistentemente no setor e o nosso desafio é fazer com que cada produto lançado proporcione mais eficiência e produtividade ao cultivo de sementes. Aliás, esta é uma tendência: concentrar e otimizar a aplicação de novas tecnologias neste sentido”, salientou o coordenador de vendas tecnológicas da Incotec, especialista em inovações para aprimoramento e tratamento de sementes, Helder Barassa.

Visão semelhante tem o diretor executivo da Gênica, empresa especializada em bioinsumos, Marcos Petean. “O Brasil é, de fato, uma grande referência em tecnologia no agro e não temos dúvidas que os bioinsumos são ótimas oportunidades para o setor. Atualmente, há 20 milhões de hectares tratados com bioinsumos no país e acreditamos que há potencial para ir muito além disso. Digo isso porque, além dos micro-organismos, há uma variedade de outras tecnologias que podem beneficiar o segmento, como moléculas orgânicas. Enfim, este é um mercado que amadureceu muito nos últimos anos e que ainda tem muito a crescer”.

O diretor-presidente do Grupo CRV, especializado em genética bovina, Rudi Den Hartog, também acredita que o agronegócio é um mercado que se abriu bastante para o âmbito tecnológico e que ainda tem muito espaço para se desenvolver neste aspecto. “Geralmente, o pecuarista está procurando novas soluções para os negócios e este é o nosso objetivo, levar inovações a eles. Consequentemente, temos o propósito de ajudar a dobrar a produção de carne e de leite no Brasil e, para isso, precisaremos de ainda mais parceiros”, pontuou.

No segundo painel sobre tecnologia, as novidades em inteligência artificial e conectividade foram destaques. Para a chefe geral da Embrapa Informática, Silvia Massruhá, o protagonismo do Brasil na agricultura mundial se deve muito aos aportes em produção e em pesquisa de campo nos últimos anos, mas a tecnologia tem papel determinante na evolução do setor. “Temos cada vez mais estações agrometeorológicas, conexões com satélites, drones que fazem monitoramento da lavoura, uso de blockchain e o emprego da inteligência artificial nos campos”.

Já o diretor de inovação da IBM Garage, Fabrício Lira, destaca a importância da inteligência artificial e disse que, apesar de parecer algo abstrato, a tecnologia tem muitas capacidades que, quando combinadas, geram soluções únicas ao agro, como seleção genética de sementes para determinado clima e terra. “Inteligência artificial leva a pensar em automatização dos processos, em otimizar algo que existe, ancorada em transparência e confiança”.

Porém, os custos e os serviços de conectividade em áreas rurais são alguns dos entraves para que os benefícios da tecnologia sejam aproveitados por todos os produtores brasileiros. Ciente disso, o diretor de investimentos e inovação do Ministério das Comunicações (MCom), Pedro Lucas, afirmou que a cobertura das conexões deve ser ampliada através dos serviços do 4G no edital do 5G, a quinta geração da telefonia móvel, que ainda será lançada.“Com o edital, todas as redes vão chegar ao campo e permitir a conectividade mais próxima do produtor”. Lucas acrescentou que a tecnologia vai ser difundida pelas rodovias federais pavimentadas. “Os grandes corredores logísticos vão ter cobertura 4G, possibilitando o controle da frota, da logística e da rastreabilidade de produtos e insumos”.

Ciente dos desafios para a democratização da tecnologia em todo o país, sobretudo pelo perfil heterogêneo do agronegócio brasileiro, o presidente do conselho diretor da Associação Nacional dos Distribuidores de Insumos Agrícolas e Veterinários (Andav), Alberto Yoshida, mostrou-se otimista com a ampliação da conectividade para os locais mais remotos do país. “O Brasil evoluiu muito no agronegócio, passando de importador para exportador de alimentos no mundo. Tenho certeza de que a tecnologia teve papel fundamental nessa evolução e que pode contribuir muito mais”, completou.

Abastecimento – Para encerrar o primeiro dia de programação, o presidente da Associação Brasileira de Supermercados (ABRAS), João Galassi, tratou sobre a relação dos eixos da Cadeia Produtiva no fornecimento de alimentos e destacou o trabalho do Fórum da Cadeia Nacional de Abastecimento, que reúne 14 entidades do setor, para discutir temas relacionados às práticas ambientais, sociais e de governança (no inglês, ESG) no segmento.

“Este é um fórum com 40 autoridades (entre associações relevantes, especialistas e pessoas ligadas ao tema), no qual elencamos ali os desafios do setor e suas soluções. Entre eles, está o desafio da comunicação com a sociedade e com toda a cadeia de abastecimento. Se não tivermos o envolvimento de todos, não conseguiremos atender às diversas necessidades do país. Temos que entender que é necessário trabalhar em conjunto para irmos cada vez mais longe”, finalizou.

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