O número de empresas que pretendem abrir lojas revela estratégia e regionalização
Os dados mais recentes da Pesquisa Nacional da Distribuição apontam para uma mudança relevante no comportamento das empresas do setor. Entre 2023 e 2025, houve uma queda de 16 pontos percentuais na proporção de empresas que pretendem abrir ou adquirir novas lojas, passando de 58% em 2023 para 42% em 2024, patamar que se mantém praticamente estável em 43% em 2025. Em 2022, esse percentual era ainda mais elevado, atingindo 59%, o que reforça a tendência de desaceleração ao longo dos últimos anos.
À primeira leitura, o movimento pode sugerir uma perda de dinamismo no ritmo de expansão. No entanto, uma análise mais aprofundada revela uma transformação mais estrutural do que conjuntural. A expansão da rede de distribuição não está necessariamente retraindo: ela está se tornando mais seletiva, regionalizada e estrategicamente orientada.
Quando observamos os dados por região, surgem dinâmicas distintas que reforçam essa interpretação. No Norte, por exemplo, após uma retração de – 83% em 2024, em 2025 os indicadores apontaram um crescimento de 158%, indicando uma forte retomada. O Centro-Oeste segue trajetória semelhante, saindo de -63% em 2024 para +101% em 2025, enquanto o Nordeste também apresenta recuperação relevante, passando de -36% para +76% no mesmo período.
No Sul, o crescimento já era positivo em 2024 (+14%) e se intensifica em 2025 (+29%), sugerindo continuidade na expansão. Já o Sudeste apresenta um movimento mais conservador, com retração de -35% em 2024 e não indicando crescimento em 2025.
Esse comportamento regional se reflete também na dinâmica por estado. Unidades como Mato Grosso, Paraná, Bahia, Ceará e Pernambuco seguem concentrando movimentos relevantes de abertura de lojas, consolidando-se como áreas estratégicas para expansão.
Ao mesmo tempo, estados como Espírito Santo, Goiás, Maranhão, Pará, Rondônia e Tocantins passam a indicar uma retomada mais consistente do apetite de crescimento em 2025, em linha com os dados regionais.
Outro ponto que chama atenção é o avanço expressivo, na comparação entre 2025 e 2024, em estados como Bahia, Mato Grosso do Sul, Pará, Rondônia e Tocantins, reforçando uma tendência clara de interiorização da expansão agrícola e da distribuição de insumos no país.
Na prática, o que os dados sugerem é uma mudança no padrão de crescimento do setor. Em vez de uma expansão ampla e homogênea, observa-se um modelo mais direcionado, com foco em regiões específicas, maior racionalidade na alocação de capital e busca por mercados com maior potencial de desenvolvimento.
Esse novo ciclo indica que o crescimento da distribuição no Brasil deve ocorrer de forma menos difusa e mais concentrada em vetores regionais, acompanhando a evolução da própria dinâmica do agronegócio.
E como esse movimento está evoluindo em 2026?
A resposta passa pela participação das empresas na 11ª Pesquisa Nacional da Distribuição Andav.
O levantamento já está aberto, e as empresas associadas que participarem terão acesso aos dados consolidados e às análises completas do setor: um insumo estratégico para tomada de decisão e posicionamento de mercado.
Participe até 30 de abril e contribua para a construção dessa visão.