Série Especial: Alternativas de Financiamento aos Distribuidores Governança Corporativa

26/08/2021

Por Rafael Molinari Rodrigues

Associado Andav,

Hoje em nossa série especial de artigos mensais sobre as principais alternativas de financiamento nas atividades do Distribuidor de Insumos Agropecuários, vamos tratar sobre Governança Corporativa, que é o alicerce fundamental para que a empresa tenha acesso facilitado, e com melhores condições, às operações estruturadas e ao mercado financeiro e de capitais.

Não temos dúvidas que você já ouviu muitas vezes essa expressão “Governança Corporativa” e que já deve ter sido aconselhado a investir nessa prática em sua empresa. Aos que já buscaram maiores informações, estudaram um pouco sobre o assunto e que inclusive, já têm investido esforços na implementação de boas práticas em sua empresa, sabe que o tema é amplo e o caminho a percorrer pode ser longo, a depender especialmente do atual nível de profissionalização da gestão empresarial do seu negócio.

Há aqueles também que ainda não perceberam a relevância do assunto e/ou acharam os investimentos de tempo e dinheiro necessários muito elevados, e se questionam se vale a pena todo o esforço para implementação da Governança Corporativa, visando alternativas de financiamento, sendo que é possível antecipar e/ou descontar duplicatas em factorings ou bancos de forma mais simplificada e rápida.

Neste ponto, é importante destacar que o desconto de duplicatas no mercado financeiro não é algo ruim, pelo contrário, é uma operação bastante tradicional e, a depender da maturidade de sua governança empresarial e das condições de mercado – taxa Selic na casa de 2-3% recentemente, por exemplo – pode ser uma boa forma de antecipação de recebíveis e captação de recursos, especialmente para capital de giro.

Porém, com os aumentos recentes que temos visto na taxa Selic, somado ao desenvolvimento das operações estruturadas de financiamento nos últimos anos, ao fortalecimento do arcabouço jurídico para emissão de títulos de crédito específicos para o financiamento do Agronegócio, das garantias e das operações envolvendo fundos de investimento – como as com o Fiagro, não temos dúvidas que há alternativas de captação e financiamento mais eficientes e com taxas menores, especialmente nas operações no mercado de capitais. O acesso aos investidores do mercado de capitais, contudo, exige investimentos em Governança Corporativa.

E o tema ganhou mais recentemente uma nova proporção e enorme relevância pela exigência de investidores, do mercado e da própria sociedade civil quanto a agenda ESG (Environmental, Social and Governance ou “ASG” – Ambiental, Social e Governança) e os financiamentos verdes – que teremos em breve um artigo especial aqui em nossa série – onde a letra “G” é justamente a governança que estamos aqui comentando.

E como ter boas práticas de governança corporativa em meu negócio na Distribuição? Além da comercialização de insumos, prestação de serviços, crédito e suporte técnico aos produtores rurais, o que mais eu preciso fazer? O fato de ser uma empresa familiar pode ser um problema?

Todas essas perguntas são muito comuns e não temos a menor pretensão de esgotar o tema neste artigo. Prestar alguns esclarecimentos, chamar atenção para a importância do tema e mostrar que investimento em governça corporativa vale cada segundo e centavo, esse sim é o nosso desafio hoje.

As  boas práticas de Governança Corporativa não vão apenas facilitar e melhorar o acesso para o Distribuidor ao mercado de capitais, operações estruturadas e melhores alternativas de financiamento de seu negócio, mas também porque irão trazer mais profissionalismo à sua atividade empresarial, facilitará (e muito) o planejamento sucessório nas empresas familiares e , a perpetuação e um modelo sustentável para o negócio, especialmente em tempos em que a Distribuição de Insumos está passando por um momento de transformações. A consolidação de empresas tem provocado mudanças significativas nos modelos de negócios de um setor cada vez mais dinâmico e competitivo.

E para começar essa jornada, o foco deve estar nas regras e procedimentos claros de gestão e alçadas na empresa, o relacionamento entre os sócios; Conselhos de Administração ou Conselhos Familiares; definição de planos sucessórios nas empresas familiares, muito comum entre Distribuidores; Órgãos de Fiscalização e controles. Esse é o estágio básico e não pode parar por aí.  Próximos passos, não necessariamente nesta ordem, vão exigir profissionalização da gestão financeira e de riscos do negócio, digitalização e adoção de novas tecnologias, suporte e assessoramento jurídico e contábil, entre outras.

Para o foco de nossa Série Especial sobre Alternativas de Financiamento, será fundamental a implementação de políticas de gerenciamento de risco, modelos de concessão de crédito, administração de seus recebíveis, tanto as duplicatas – que já mencionamos e de seus títulos de crédito – quanto as cédulas de produto rural financeiras (CPRs Financeiras). Demonstrações financeiras auditadas e eventualmente publicadas garantem também maior qualidade dos números da empresa, o que costuma gerar maior confiança e segurança às operações de financiamento, menor risco aos investidores e, por consequencia, menores custos financeiros e taxas aos distribuidores.

A partir dos próximos artigos, vamos tratar sobre as estruturas e operações de financiamento, mas é importante entender que a Governança Corporativa é basilar para elas. Pela própria característica do negócio de Distribuição de Insumos, de balanço em regra alavancado, margens pequenas, fluxos financeiros apertados e necessidade de venda à prazo de seus insumos, não temos dúvidas de que as melhores práticas de Governança trarão inúmeros benefícios a todos os distribuidores e abrirão ainda mais as portas para as operações estruturadas privadas e de mercado de capitais, especialmente envolvendo os direitos creditórios (recebíveis) detidos pelas empresas da Distribuição.